Fotólise
Fotólise | |
|---|---|
| A radiação ultravioleta rompe O₂ após ser absorvida, e os átomos liberados podem formar ozônio. | |
| Definição | Dissociação de uma molécula ou de um íon após a absorção de um ou mais fótons |
| Tipo | Reação fotoquímica |
| Agente | Radiação eletromagnética |
| Produtos | Átomos, radicais, moléculas ou íons menores |
| Faixas espectrais | Ultravioleta de vácuo, ultravioleta, luz visível e infravermelho |
| Grandezas usadas | Seção de choque, rendimento quântico e taxa de fotólise |
| Áreas de estudo | Fotoquímica, química atmosférica, astroquímica e espectrometria de massa |
| Exemplos naturais | Química do ozônio, oxidação da água na fotossíntese e dissociação no meio interestelar |
A fotólise, também chamada fotodissociação, fotodecomposição ou fotofragmentação, é o processo no qual uma molécula ou um íon se dissocia após absorver um ou mais fótons.[1] A espécie, o comprimento de onda e o ambiente determinam se o processo gera átomos, radicais, moléculas menores ou fragmentos iônicos e qual canal de dissociação ocorre.
Aqui, "luz" designa a radiação nas faixas do ultravioleta de vácuo, do ultravioleta, do visível e da infravermelha. Fótons visíveis, ultravioletas e do ultravioleta de vácuo podem levar uma molécula a estados eletrônicos dissociativos e romper ligações covalentes. Fótons infravermelhos normalmente excitam vibrações. A dissociação nessa faixa pode ocorrer pela absorção sequencial de fótons ou pela separação de componentes fracamente ligados em íons e complexos.[2][3]
Reações de fotólise ocorrem na atmosfera, no espaço e nas etapas luminosas da fotossíntese. O processo é empregado no tratamento de água, na espectrometria de massa e na liberação de compostos protegidos por grupos sensíveis à luz. A luz solar altera o destino ambiental de substâncias por fotólise direta e indireta.
Princípios fundamentais
[editar | editar código]Absorção e energia do fóton
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A energia de um fóton é inversamente proporcional ao seu comprimento de onda e é dada por
em que é a constante de Planck, é a velocidade da luz e é o comprimento de onda. A absorção ocorre quando a energia do fóton e as regras de seleção admitem uma transição da espécie para um estado excitado. Energia suficiente para alcançar uma via de fragmentação não garante o rompimento da ligação. A molécula pode não absorver naquele comprimento de onda ou pode perder energia por fluorescência, conversão interna, cruzamento intersistemas, colisões ou outras reações.[2]
Quando a excitação leva diretamente a uma superfície de energia potencial repulsiva, os fragmentos podem separar-se rapidamente. Em outros casos, um estado excitado inicialmente ligado acopla-se a um estado dissociativo, processo denominado predissociação. O solvente, as colisões, a temperatura e a estrutura eletrônica alteram a duração do estado excitado e a competição entre essas vias.[2]
Canais de dissociação
[editar | editar código]Uma mesma espécie pode formar produtos por canais de dissociação distintos, como ocorre com a água excitada no ultravioleta de vácuo, que pode produzir , ou três fragmentos, . A fração correspondente a cada canal, chamada razão de ramificação, varia com o comprimento de onda e com o estado quântico inicial.[4]
A energia disponível além do limiar distribui-se entre o movimento relativo dos fragmentos e seus graus de liberdade eletrônicos, vibracionais e rotacionais. Essas distribuições são usadas para reconstruir a dinâmica da ruptura e distinguir mecanismos que produziriam os mesmos fragmentos finais.[2]
Rendimento quântico e taxa de fotólise
[editar | editar código]A seção de choque de absorção, , expressa a probabilidade de absorção em cada comprimento de onda. O rendimento quântico, , quantifica os eventos do canal considerado por fóton absorvido. O fluxo espectral de fótons, , corresponde ao número de fótons que atingem a amostra por intervalo de comprimento de onda, área e tempo.
Para uma espécie submetida a um campo de radiação, a frequência de fotólise de primeira ordem pode ser escrita, em forma simplificada, como
O valor de tem unidade de s−1. Se a fotólise for o único processo de remoção e o campo de radiação permanecer constante, a vida média característica será aproximadamente . Em atmosferas, águas naturais e nuvens interestelares, o cálculo usa a atenuação da luz, o sombreamento, o espalhamento e a competição com outras reações.[5][4]
Escopo e processos relacionados
[editar | editar código]A fotólise exige a dissociação de uma molécula ou de um íon após a absorção. Reações fotoquímicas que conservam a espécie excitada e processos nos quais outra substância absorve a luz pertencem a categorias próximas.
| Processo | Absorção da luz | Resultado característico | Relação com a fotólise |
|---|---|---|---|
| Fotólise direta | A própria espécie-alvo absorve o fóton | Dissociação ou transformação primária da espécie excitada | É fotólise quando há fragmentação da espécie-alvo |
| Fotólise indireta | Outra substância absorve a luz e forma intermediários reativos | A espécie-alvo reage, por exemplo, com radicais ou oxigênio singlete | A transformação da espécie-alvo não resulta de sua absorção direta |
| Fotoionização | A espécie absorve um fóton | Ejeção de um elétron e formação de um íon | Pode competir com a fotodissociação ou ser seguida por fragmentação |
| Fotocatálise | Um catalisador ou fotocatalisador absorve luz e participa do ciclo reacional | Formação de produtos com regeneração do catalisador | Pode gerar espécies que promovem dissociação, mas não é necessariamente fotólise |
| Fotodegradação | A exposição à luz causa perda de propriedades ou decomposição | Transformações físicas e químicas graduais | Pode ocorrer por processos que não são fotólise |
| Radiólise | Radiação ionizante deposita energia no meio | Íons, elétrons e radicais iniciam reações químicas | Não exige absorção de luz pela molécula que se decompõe |
Na química ambiental, o termo "fotólise" pode designar a transformação fotoquímica de uma substância mesmo sem fragmentação molecular elementar bem definida. Na via direta, o contaminante absorve a radiação disponível. Na via indireta, constituintes do meio, como matéria orgânica dissolvida, nitrato ou peróxido de hidrogênio, geram espécies reativas que atacam o contaminante.[6]
Mecanismos e regimes de excitação
[editar | editar código]Dissociação direta e predissociação
[editar | editar código]Na dissociação direta, a absorção leva a espécie a um estado cuja energia potencial conduz à separação imediata dos núcleos. O espectro dessa dissociação tende a ser largo porque o movimento dos núcleos não possui a sequência discreta de níveis vibracionais de um estado fortemente ligado. Na predissociação, a espécie ocupa primeiro um estado ligado ou quase ligado e depois passa para uma superfície dissociativa por acoplamento entre estados.[2]
A dinâmica pode ser adiabática, quando os fragmentos seguem essencialmente uma superfície eletrônica, ou não adiabática, quando há transições entre superfícies. Interseções cônicas e acoplamentos spin-órbita abrem vias rápidas de redistribuição de energia e mudam os produtos formados. Bandas de absorção diferentes da mesma molécula podem produzir razões de ramificação distintas.[2]
Transferência de prótons fotoinduzida
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Nos fotoácidos reversíveis do tipo Förster, a absorção de luz aumenta a acidez no estado eletrônico excitado. A sequência simplificada transfere um próton ao solvente e forma a base conjugada
Após o relaxamento para o estado eletrônico fundamental, o próton pode sofrer recombinação geminada com a base conjugada e regenerar o fotoácido. Reorganização do solvente, transferência, difusão e recombinação ocorrem em escalas de femtossegundos a nanossegundos.[7]
Nos sistemas reversíveis, a transferência não constitui uma fotodissociação irreversível porque o produto pode retornar à estrutura inicial. A excitação muda a superfície de energia e abre uma via de separação desfavorável no estado fundamental. Fotoácidos são empregados como gatilhos ópticos para iniciar e acompanhar transferências de prótons e variações rápidas de pH por espectroscopia a laser ultrarrápida.[7]
Dissociação multifotônica
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Como um único fóton infravermelho geralmente não tem energia suficiente para provocar a dissociação direta de uma molécula, um campo intenso pode levar a espécie a absorver fótons sucessivamente, redistribuir a energia entre seus modos vibracionais e acumular energia interna até superar a barreira de dissociação. Esse regime é denominado dissociação multifotônica. Na faixa infravermelha, recebe a sigla IRMPD, de infrared multiple photon dissociation.[3]
A IRMPD é usada para obter espectros vibracionais de íons isolados e selecionados por massa. Lasers de dióxido de carbono e lasers de elétrons livres são empregados como fontes. Em baixa pressão, o confinamento prolongado reduz o resfriamento por colisões, e a absorção sequencial se torna mais provável.[3]
Na dissociação radiativa infravermelha por corpo negro, conhecida pela sigla inglesa BIRD, íons aprisionados absorvem a radiação térmica emitida pelas paredes do instrumento. A técnica é usada em espectrometria de massa por ressonância ciclotrônica de íons para medir cinética e energias de dissociação em pressão muito baixa.[8]
Métodos experimentais
[editar | editar código]Espectros e medições resolvidas no tempo
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Espectros de absorção registram os comprimentos de onda absorvidos pela espécie. Espectros de ação registram a formação de um fragmento ou outro resultado em função do comprimento de onda. A comparação quantifica a relação entre a probabilidade de absorção e a eficiência do canal de dissociação. Medidas de rendimento quântico, razão de ramificação e energia cinética caracterizam a distribuição dos produtos.[2]
A fotólise flash introduziu o uso de pulsos curtos de luz para formar intermediários e acompanhar sua evolução espectroscópica. Ronald Norrish e George Porter dividiram com Manfred Eigen o Prêmio Nobel de Química de 1967 por estudos de reações extremamente rápidas.[9] Nos experimentos de bombeio e prova, um primeiro pulso excita ou dissocia a amostra e um segundo pulso, atrasado de maneira controlada, mede absorção, emissão, fotoelétrons ou íons. Pulsos de femtossegundos acompanham o movimento nuclear e a ruptura de ligações em tempo real.[10]
Detecção de fragmentos
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A detecção usa fluorescência induzida por laser, espectroscopia de absorção, espectrometria de massa ou medição direta de elétrons e fragmentos neutros. Técnicas de tempo de voo e de imageamento de velocidades determinam massas, direções e energias cinéticas. Esses dados são usados para inferir os estados internos dos produtos e a geometria da dissociação.[2]
Com fontes ajustáveis de ultravioleta de vácuo, como lasers de elétrons livres, a energia de excitação pode ser selecionada para medir limiares e canais de fragmentação. Entre 90 e 107,4 nm, o canal de três corpos da água dominou nas condições de um experimento com ultravioleta de vácuo ajustável.[4] Em íons aprisionados, a perda de um fragmento em função do comprimento de onda gera um espectro de ação mesmo quando a absorção direta não pode ser medida com sensibilidade suficiente.[3]
Processos naturais
[editar | editar código]Atmosfera terrestre
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Na atmosfera, a fotólise controla grande parte da química diurna, com taxas que variam com a hora, a estação, a latitude, a altitude, a cobertura de nuvens e a absorção e o espalhamento por gases e aerossóis. A composição e o fluxo espectral mudam com a altitude, e uma reação eficiente na estratosfera pode ser desprezível junto à superfície.[11]
Troposfera
[editar | editar código]Na troposfera, a fotodissociação do ozônio por radiação de comprimento de onda inferior a aproximadamente 320 nm pode produzir um átomo de oxigênio eletronicamente excitado.[11]
Esse átomo pode reagir com vapor de água e formar o radical hidroxila.
O radical hidroxila inicia a oxidação de compostos orgânicos voláteis e controla a capacidade oxidante, ou de "autolimpeza", da troposfera. A maior parte da formação primária global de OH resulta da fotólise do ozônio. Reações em cadeia reciclam o radical e podem produzir mais OH do que a formação primária.[12]
A fotólise do dióxido de nitrogênio, seguida de uma recombinação que requer uma terceira espécie, M, forma ozônio pelas reações abaixo.
No ciclo contendo apenas , e , o ozônio volta a oxidar e não há acúmulo líquido. Radicais peróxi gerados na oxidação de monóxido de carbono e de compostos orgânicos podem converter em sem consumir ozônio, o que produz acúmulo líquido. Sob luz solar, essas reações formam ozônio troposférico e outros poluentes secundários do smog fotoquímico.[13]
Estratosfera
[editar | editar código]Na estratosfera, a formação da ozonosfera começa com a fotodissociação de pela radiação ultravioleta. O oxigênio atômico resultante combina-se com outra molécula de , na presença de uma terceira espécie, e forma .
O próprio ozônio absorve ultravioleta e se fotodissocia no ciclo natural de formação e destruição. Substâncias destruidoras de ozônio, como os clorofluorocarbonetos, são estáveis o bastante para alcançar a estratosfera. Sua decomposição pela radiação ultravioleta libera cloro, que entra em ciclos catalíticos capazes de destruir moléculas de ozônio.[14] A perturbação desses ciclos por cloro e bromo é distinta da produção de ozônio poluente na baixa atmosfera.
Fotólise da água na fotossíntese
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Na fotossíntese oxigênica, a etapa chamada fotólise da água ocorre no fotossistema II. A ruptura da água resulta de quatro separações fotoquímicas de carga sucessivas, e não da absorção direta de um único fóton por uma molécula de água. Essas separações levam o complexo de evolução do oxigênio, que contém um agregado , a retirar quatro elétrons e quatro prótons de duas moléculas de água e a liberar uma molécula de oxigênio. Os elétrons repõem os perdidos pela clorofila P680 oxidada. Os prótons geram a força próton-motriz usada na síntese de ATP.[15]
A reação global de oxidação da água nessa etapa é
A separação fotoquímica de carga ocorre no centro de reação, e a oxidação catalítica da água ocorre no complexo de manganês e cálcio.
Astroquímica
[editar | editar código]Meio interestelar e regiões de fotodissociação
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No meio interestelar, a fotodissociação e a fotoionização destroem moléculas expostas à radiação. As taxas dependem do espectro do campo de radiação, das seções de choque de absorção e dissociação, da atenuação por poeira, do sombreamento por hidrogênio e da autoproteção de algumas moléculas.[5]
Nas regiões de fotodissociação, fótons do ultravioleta distante dominam parte da química ou do aquecimento do gás neutro em locais como o meio interestelar difuso, as superfícies de nuvens densas, os ambientes de formação estelar e as camadas externas de discos protoplanetários.[16] A competição entre formação, fotodestruição e proteção determina as abundâncias e a distribuição de , e .
A dissociação de três corpos da água, , dominou entre 90 e 107,4 nm nas condições medidas com ultravioleta de vácuo ajustável. Chang e coautores propuseram incorporar esse canal aos modelos fotoquímicos interestelares de formação abiótica de .[4]
Cometas e atmosferas planetárias
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Na coma de um cometa, a radiação solar fotodissocia moléculas liberadas pelo núcleo e produz espécies observadas remotamente, como radicais e átomos. Em atmosferas planetárias e de exoplanetas, redes iniciadas pela fotólise podem produzir ou destruir aerossóis, moléculas oxidantes e gases usados para inferir composição atmosférica. Os mesmos dados de seção de choque e rendimento quântico empregados em modelos interestelares são, com campos de radiação apropriados, aplicados a cometas, discos protoplanetários e atmosferas planetárias.[17]
Em 2023, o Telescópio Espacial James Webb detectou dióxido de enxofre na atmosfera do exoplaneta WASP-39b. Simulações reproduziram o por uma rede fotoquímica iniciada pela radiação estelar. Essa foi a primeira detecção inequívoca de um produto fotoquímico na atmosfera de um exoplaneta.[18]
Aplicações
[editar | editar código]Destino ambiental e tratamento de água
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A fotólise direta pode reduzir a concentração de contaminantes que absorvem a radiação solar ou a radiação de uma lâmpada no meio em que se encontram. Em águas naturais, a matéria orgânica dissolvida e outras substâncias alteram a penetração da luz, extinguem estados excitados ou geram intermediários reativos. Resultados obtidos em água pura nem sempre se aplicam a rios, reservatórios ou efluentes.[6]
Em processos de oxidação avançada, a radiação ultravioleta é combinada com oxidantes, como o peróxido de hidrogênio, para produzir radical hidroxila. O contaminante pode então ser removido por uma combinação de fotólise direta e oxidação indireta. A eficiência depende do espectro da fonte, da absorção do composto, da dose de radiação, do pH e da presença de espécies que competem pelos radicais.[19]
O desaparecimento do composto inicial não comprova a remoção do risco, pois os fotoprodutos precisam ser detectados e avaliados. A mineralização completa, que converte o carbono orgânico em dióxido de carbono, exige em geral mais etapas do que o desaparecimento da molécula-alvo.[20]
Química analítica e biologia estrutural
[editar | editar código]Na espectrometria de massa, a dissociação induzida por ultravioleta, ou UVPD, fragmenta íons selecionados e produz padrões usados para determinar estrutura. A técnica é aplicada a peptídeos, proteínas, lipídios, carboidratos e complexos não covalentes. Os canais da UVPD complementam os dados obtidos por dissociação colisional.[21]
Na espectroscopia de íons, a medição do número de fragmentos durante a varredura do comprimento de onda registra a absorção e forma um espectro de ação vibracional ou eletrônico de espécies presentes em pequena quantidade e difíceis de estudar por absorção convencional.[3]
Grupos fotolábeis e controle químico por luz
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Grupos protetores fotolábeis, também chamados photocages, mantêm temporariamente inativa uma função química ou biomolécula. A iluminação rompe uma ligação no grupo e libera o composto em tempo e local controlados. O método é usado em síntese, materiais e experimentos biológicos para liberar mensageiros, fármacos ou outras espécies sem adicionar um reagente químico no momento da ativação.[22]
O comprimento de onda deve ser escolhido para que o grupo absorva e se dissocie com rendimento adequado sem causar reações indesejadas no meio. Em amostras biológicas, radiação de maior comprimento de onda costuma penetrar mais e causar menos dano que o ultravioleta. Grupos sensíveis ao visível e ao infravermelho próximo aproveitam essa diferença.[22]
Radiação de alta energia e eventos extremos
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Em energias de raios X e raios gama, a deposição de energia envolve a ionização e os elétrons secundários resultantes, que dissociam e e iniciam uma cadeia de química atmosférica. Se uma erupção de raios gama galáctica suficientemente próxima tivesse o feixe dirigido à Terra, as reações subsequentes formariam espécies reativas de nitrogênio, reunidas sob a designação , capazes de entrar em ciclos catalíticos de destruição do ozônio estratosférico.[23]
Em uma simulação de uma exposição de 100 kJ/m², a redução média global máxima do ozônio foi de cerca de 35%, com reduções regionais de até 55%, e a recuperação durou anos. Os valores mudaram com a latitude, a estação e as características da radiação.[23] No modelo, a maior passagem de radiação ultravioleta B até a superfície causou o dano biológico.
A erupção GRB 221009A, de 9 de outubro de 2022, perturbou o campo elétrico na parte superior da ionosfera, a cerca de 500 km de altitude.[24] A medida limitou-se à resposta ionosférica e não registrou dano à biosfera nem redução comparável do ozônio.
Ver também
[editar | editar código]- Fotoquímica, estudo das transformações químicas iniciadas pela luz
- Reação fotoquímica, reação que se inicia com a absorção de radiação eletromagnética
- Fotocatálise, alteração da velocidade de uma fotorreação por um catalisador
- Fotodegradação, decomposição ou perda de propriedades sob a ação da luz
- Fotoionização, remoção de elétrons por absorção de fótons
- Processo de oxidação avançada, tratamento baseado na geração de espécies fortemente oxidantes
- Radiólise, transformação química provocada por radiação ionizante
- Ozonosfera, região atmosférica cuja formação e destruição envolvem fotólise
Leitura adicional
[editar | editar código]- Rodrigues, Janaina de Faria (2005). Estudo fotoquímico por fotólise por pulso de laser em nanossegundo de tioxantona (Tese de Dissertação de mestrado em Química). Seropédica: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Consultado em 21 de setembro de 2026
- Turro, Nicholas J.; Ramamurthy, V.; Scaiano, J. C. (2010). Modern Molecular Photochemistry of Organic Molecules (em inglês). [S.l.]: University Science Books. ISBN 9781891389252
- Klán, Petr; Wirz, Jakob (2009). Photochemistry of Organic Compounds: From Concepts to Practice (em inglês). [S.l.]: Wiley-Blackwell. ISBN 9781405161732
- Schinke, Reinhard (1993). Photodissociation Dynamics: Spectroscopy and Fragmentation of Small Polyatomic Molecules (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 9780521484145
Referências
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Ligações externas
[editar | editar código]- Aplicação de fotólise direta e UV/H2O2 a efluente sintético, artigo da revista Química Nova no SciELO.
- Estudo da fotólise da acetanilida e do paracetamol por radiação ultravioleta, trabalho acadêmico no repositório Lume da UFRGS.
- Fotólise da água e produção de hidrogênio verde, Instituto de Física de São Carlos da USP.
- Ozono (O3), Agência Portuguesa do Ambiente.
- Banco de dados de fotodissociação e fotoionização, Observatório de Leiden (em inglês).

