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Fotólise

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Não confundir com Fotodesintegração.
Fotólise
Diagrama da fotólise do oxigênio e da formação de ozônio
Fotólise
A radiação ultravioleta rompe O₂ após ser absorvida, e os átomos liberados podem formar ozônio.
Definição Dissociação de uma molécula ou de um íon após a absorção de um ou mais fótons
Tipo Reação fotoquímica
Agente Radiação eletromagnética
Produtos Átomos, radicais, moléculas ou íons menores
Faixas espectrais Ultravioleta de vácuo, ultravioleta, luz visível e infravermelho
Grandezas usadas Seção de choque, rendimento quântico e taxa de fotólise
Áreas de estudo Fotoquímica, química atmosférica, astroquímica e espectrometria de massa
Exemplos naturais Química do ozônio, oxidação da água na fotossíntese e dissociação no meio interestelar

A fotólise, também chamada fotodissociação, fotodecomposição ou fotofragmentação, é o processo no qual uma molécula ou um íon se dissocia após absorver um ou mais fótons.[1] A espécie, o comprimento de onda e o ambiente determinam se o processo gera átomos, radicais, moléculas menores ou fragmentos iônicos e qual canal de dissociação ocorre.

Aqui, "luz" designa a radiação nas faixas do ultravioleta de vácuo, do ultravioleta, do visível e da infravermelha. Fótons visíveis, ultravioletas e do ultravioleta de vácuo podem levar uma molécula a estados eletrônicos dissociativos e romper ligações covalentes. Fótons infravermelhos normalmente excitam vibrações. A dissociação nessa faixa pode ocorrer pela absorção sequencial de fótons ou pela separação de componentes fracamente ligados em íons e complexos.[2][3]

Reações de fotólise ocorrem na atmosfera, no espaço e nas etapas luminosas da fotossíntese. O processo é empregado no tratamento de água, na espectrometria de massa e na liberação de compostos protegidos por grupos sensíveis à luz. A luz solar altera o destino ambiental de substâncias por fotólise direta e indireta.

Princípios fundamentais

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Absorção e energia do fóton

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Diagrama de Jablonski com absorção e vias de relaxamento de uma molécula excitada
A absorção cria um estado excitado que pode relaxar por vias radiativas ou não radiativas antes que ocorra a dissociação.

A energia de um fóton é inversamente proporcional ao seu comprimento de onda e é dada por

em que é a constante de Planck, é a velocidade da luz e é o comprimento de onda. A absorção ocorre quando a energia do fóton e as regras de seleção admitem uma transição da espécie para um estado excitado. Energia suficiente para alcançar uma via de fragmentação não garante o rompimento da ligação. A molécula pode não absorver naquele comprimento de onda ou pode perder energia por fluorescência, conversão interna, cruzamento intersistemas, colisões ou outras reações.[2]

Quando a excitação leva diretamente a uma superfície de energia potencial repulsiva, os fragmentos podem separar-se rapidamente. Em outros casos, um estado excitado inicialmente ligado acopla-se a um estado dissociativo, processo denominado predissociação. O solvente, as colisões, a temperatura e a estrutura eletrônica alteram a duração do estado excitado e a competição entre essas vias.[2]

Canais de dissociação

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Uma mesma espécie pode formar produtos por canais de dissociação distintos, como ocorre com a água excitada no ultravioleta de vácuo, que pode produzir , ou três fragmentos, . A fração correspondente a cada canal, chamada razão de ramificação, varia com o comprimento de onda e com o estado quântico inicial.[4]

A energia disponível além do limiar distribui-se entre o movimento relativo dos fragmentos e seus graus de liberdade eletrônicos, vibracionais e rotacionais. Essas distribuições são usadas para reconstruir a dinâmica da ruptura e distinguir mecanismos que produziriam os mesmos fragmentos finais.[2]

Rendimento quântico e taxa de fotólise

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A seção de choque de absorção, , expressa a probabilidade de absorção em cada comprimento de onda. O rendimento quântico, , quantifica os eventos do canal considerado por fóton absorvido. O fluxo espectral de fótons, , corresponde ao número de fótons que atingem a amostra por intervalo de comprimento de onda, área e tempo.

Para uma espécie submetida a um campo de radiação, a frequência de fotólise de primeira ordem pode ser escrita, em forma simplificada, como

O valor de tem unidade de s−1. Se a fotólise for o único processo de remoção e o campo de radiação permanecer constante, a vida média característica será aproximadamente . Em atmosferas, águas naturais e nuvens interestelares, o cálculo usa a atenuação da luz, o sombreamento, o espalhamento e a competição com outras reações.[5][4]

Escopo e processos relacionados

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A fotólise exige a dissociação de uma molécula ou de um íon após a absorção. Reações fotoquímicas que conservam a espécie excitada e processos nos quais outra substância absorve a luz pertencem a categorias próximas.

Relação entre fotólise e processos próximos
ProcessoAbsorção da luzResultado característicoRelação com a fotólise
Fotólise diretaA própria espécie-alvo absorve o fótonDissociação ou transformação primária da espécie excitadaÉ fotólise quando há fragmentação da espécie-alvo
Fotólise indiretaOutra substância absorve a luz e forma intermediários reativosA espécie-alvo reage, por exemplo, com radicais ou oxigênio singleteA transformação da espécie-alvo não resulta de sua absorção direta
FotoionizaçãoA espécie absorve um fótonEjeção de um elétron e formação de um íonPode competir com a fotodissociação ou ser seguida por fragmentação
FotocatáliseUm catalisador ou fotocatalisador absorve luz e participa do ciclo reacionalFormação de produtos com regeneração do catalisadorPode gerar espécies que promovem dissociação, mas não é necessariamente fotólise
FotodegradaçãoA exposição à luz causa perda de propriedades ou decomposiçãoTransformações físicas e químicas graduaisPode ocorrer por processos que não são fotólise
RadióliseRadiação ionizante deposita energia no meioÍons, elétrons e radicais iniciam reações químicasNão exige absorção de luz pela molécula que se decompõe

Na química ambiental, o termo "fotólise" pode designar a transformação fotoquímica de uma substância mesmo sem fragmentação molecular elementar bem definida. Na via direta, o contaminante absorve a radiação disponível. Na via indireta, constituintes do meio, como matéria orgânica dissolvida, nitrato ou peróxido de hidrogênio, geram espécies reativas que atacam o contaminante.[6]

Mecanismos e regimes de excitação

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Dissociação direta e predissociação

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Na dissociação direta, a absorção leva a espécie a um estado cuja energia potencial conduz à separação imediata dos núcleos. O espectro dessa dissociação tende a ser largo porque o movimento dos núcleos não possui a sequência discreta de níveis vibracionais de um estado fortemente ligado. Na predissociação, a espécie ocupa primeiro um estado ligado ou quase ligado e depois passa para uma superfície dissociativa por acoplamento entre estados.[2]

A dinâmica pode ser adiabática, quando os fragmentos seguem essencialmente uma superfície eletrônica, ou não adiabática, quando há transições entre superfícies. Interseções cônicas e acoplamentos spin-órbita abrem vias rápidas de redistribuição de energia e mudam os produtos formados. Bandas de absorção diferentes da mesma molécula podem produzir razões de ramificação distintas.[2]

Transferência de prótons fotoinduzida

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Esquema de uma molécula excitada por luz que libera um próton
Nos fotoácidos reversíveis, a excitação aumenta a acidez e transfere um próton ao solvente antes que a recombinação regenere a molécula.

Nos fotoácidos reversíveis do tipo Förster, a absorção de luz aumenta a acidez no estado eletrônico excitado. A sequência simplificada transfere um próton ao solvente e forma a base conjugada

Após o relaxamento para o estado eletrônico fundamental, o próton pode sofrer recombinação geminada com a base conjugada e regenerar o fotoácido. Reorganização do solvente, transferência, difusão e recombinação ocorrem em escalas de femtossegundos a nanossegundos.[7]

Nos sistemas reversíveis, a transferência não constitui uma fotodissociação irreversível porque o produto pode retornar à estrutura inicial. A excitação muda a superfície de energia e abre uma via de separação desfavorável no estado fundamental. Fotoácidos são empregados como gatilhos ópticos para iniciar e acompanhar transferências de prótons e variações rápidas de pH por espectroscopia a laser ultrarrápida.[7]

Dissociação multifotônica

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Espectrômetro de massa FT-ICR empregado em estudos de fragmentação de íons
O confinamento prolongado de íons em espectrômetros FT-ICR reduz o resfriamento por colisões e aumenta a absorção sequencial de fótons infravermelhos.

Como um único fóton infravermelho geralmente não tem energia suficiente para provocar a dissociação direta de uma molécula, um campo intenso pode levar a espécie a absorver fótons sucessivamente, redistribuir a energia entre seus modos vibracionais e acumular energia interna até superar a barreira de dissociação. Esse regime é denominado dissociação multifotônica. Na faixa infravermelha, recebe a sigla IRMPD, de infrared multiple photon dissociation.[3]

A IRMPD é usada para obter espectros vibracionais de íons isolados e selecionados por massa. Lasers de dióxido de carbono e lasers de elétrons livres são empregados como fontes. Em baixa pressão, o confinamento prolongado reduz o resfriamento por colisões, e a absorção sequencial se torna mais provável.[3]

Na dissociação radiativa infravermelha por corpo negro, conhecida pela sigla inglesa BIRD, íons aprisionados absorvem a radiação térmica emitida pelas paredes do instrumento. A técnica é usada em espectrometria de massa por ressonância ciclotrônica de íons para medir cinética e energias de dissociação em pressão muito baixa.[8]

Métodos experimentais

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Espectros e medições resolvidas no tempo

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Esquema de um experimento de bombeio e prova com dois pulsos de laser
Em experimentos de bombeio e prova, um pulso inicia a fotólise e outro registra a evolução dos intermediários após um atraso controlado.

Espectros de absorção registram os comprimentos de onda absorvidos pela espécie. Espectros de ação registram a formação de um fragmento ou outro resultado em função do comprimento de onda. A comparação quantifica a relação entre a probabilidade de absorção e a eficiência do canal de dissociação. Medidas de rendimento quântico, razão de ramificação e energia cinética caracterizam a distribuição dos produtos.[2]

A fotólise flash introduziu o uso de pulsos curtos de luz para formar intermediários e acompanhar sua evolução espectroscópica. Ronald Norrish e George Porter dividiram com Manfred Eigen o Prêmio Nobel de Química de 1967 por estudos de reações extremamente rápidas.[9] Nos experimentos de bombeio e prova, um primeiro pulso excita ou dissocia a amostra e um segundo pulso, atrasado de maneira controlada, mede absorção, emissão, fotoelétrons ou íons. Pulsos de femtossegundos acompanham o movimento nuclear e a ruptura de ligações em tempo real.[10]

Detecção de fragmentos

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Esquema de um espectrômetro de fotodissociação infravermelha
Na espectroscopia de ação, a intensidade do fragmento selecionado é medida enquanto o comprimento de onda do laser é varrido.

A detecção usa fluorescência induzida por laser, espectroscopia de absorção, espectrometria de massa ou medição direta de elétrons e fragmentos neutros. Técnicas de tempo de voo e de imageamento de velocidades determinam massas, direções e energias cinéticas. Esses dados são usados para inferir os estados internos dos produtos e a geometria da dissociação.[2]

Com fontes ajustáveis de ultravioleta de vácuo, como lasers de elétrons livres, a energia de excitação pode ser selecionada para medir limiares e canais de fragmentação. Entre 90 e 107,4 nm, o canal de três corpos da água dominou nas condições de um experimento com ultravioleta de vácuo ajustável.[4] Em íons aprisionados, a perda de um fragmento em função do comprimento de onda gera um espectro de ação mesmo quando a absorção direta não pode ser medida com sensibilidade suficiente.[3]

Processos naturais

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Atmosfera terrestre

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Esquema do ciclo de formação e destruição do ozônio pela radiação ultravioleta
A radiação solar inicia a formação do ozônio estratosférico, provoca sua fotodissociação e mantém a química oxidante da troposfera.

Na atmosfera, a fotólise controla grande parte da química diurna, com taxas que variam com a hora, a estação, a latitude, a altitude, a cobertura de nuvens e a absorção e o espalhamento por gases e aerossóis. A composição e o fluxo espectral mudam com a altitude, e uma reação eficiente na estratosfera pode ser desprezível junto à superfície.[11]

Troposfera

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Na troposfera, a fotodissociação do ozônio por radiação de comprimento de onda inferior a aproximadamente 320 nm pode produzir um átomo de oxigênio eletronicamente excitado.[11]

Esse átomo pode reagir com vapor de água e formar o radical hidroxila.

O radical hidroxila inicia a oxidação de compostos orgânicos voláteis e controla a capacidade oxidante, ou de "autolimpeza", da troposfera. A maior parte da formação primária global de OH resulta da fotólise do ozônio. Reações em cadeia reciclam o radical e podem produzir mais OH do que a formação primária.[12]

A fotólise do dióxido de nitrogênio, seguida de uma recombinação que requer uma terceira espécie, M, forma ozônio pelas reações abaixo.

No ciclo contendo apenas , e , o ozônio volta a oxidar e não há acúmulo líquido. Radicais peróxi gerados na oxidação de monóxido de carbono e de compostos orgânicos podem converter em sem consumir ozônio, o que produz acúmulo líquido. Sob luz solar, essas reações formam ozônio troposférico e outros poluentes secundários do smog fotoquímico.[13]

Estratosfera

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Na estratosfera, a formação da ozonosfera começa com a fotodissociação de pela radiação ultravioleta. O oxigênio atômico resultante combina-se com outra molécula de , na presença de uma terceira espécie, e forma .

O próprio ozônio absorve ultravioleta e se fotodissocia no ciclo natural de formação e destruição. Substâncias destruidoras de ozônio, como os clorofluorocarbonetos, são estáveis o bastante para alcançar a estratosfera. Sua decomposição pela radiação ultravioleta libera cloro, que entra em ciclos catalíticos capazes de destruir moléculas de ozônio.[14] A perturbação desses ciclos por cloro e bromo é distinta da produção de ozônio poluente na baixa atmosfera.

Fotólise da água na fotossíntese

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Esquema do ciclo de estados S do fotossistema II que leva à oxidação da água
No fotossistema II, quatro separações fotoquímicas de carga retiram elétrons da água e liberam prótons e oxigênio molecular.

Na fotossíntese oxigênica, a etapa chamada fotólise da água ocorre no fotossistema II. A ruptura da água resulta de quatro separações fotoquímicas de carga sucessivas, e não da absorção direta de um único fóton por uma molécula de água. Essas separações levam o complexo de evolução do oxigênio, que contém um agregado , a retirar quatro elétrons e quatro prótons de duas moléculas de água e a liberar uma molécula de oxigênio. Os elétrons repõem os perdidos pela clorofila P680 oxidada. Os prótons geram a força próton-motriz usada na síntese de ATP.[15]

A reação global de oxidação da água nessa etapa é

A separação fotoquímica de carga ocorre no centro de reação, e a oxidação catalítica da água ocorre no complexo de manganês e cálcio.

Astroquímica

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Meio interestelar e regiões de fotodissociação

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Infográfico sobre a estrutura de uma região de fotodissociação no espaço interestelar
A atenuação gradual do ultravioleta produz camadas químicas distintas na borda iluminada de uma nuvem interestelar.

No meio interestelar, a fotodissociação e a fotoionização destroem moléculas expostas à radiação. As taxas dependem do espectro do campo de radiação, das seções de choque de absorção e dissociação, da atenuação por poeira, do sombreamento por hidrogênio e da autoproteção de algumas moléculas.[5]

Nas regiões de fotodissociação, fótons do ultravioleta distante dominam parte da química ou do aquecimento do gás neutro em locais como o meio interestelar difuso, as superfícies de nuvens densas, os ambientes de formação estelar e as camadas externas de discos protoplanetários.[16] A competição entre formação, fotodestruição e proteção determina as abundâncias e a distribuição de , e .

A dissociação de três corpos da água, , dominou entre 90 e 107,4 nm nas condições medidas com ultravioleta de vácuo ajustável. Chang e coautores propuseram incorporar esse canal aos modelos fotoquímicos interestelares de formação abiótica de .[4]

Cometas e atmosferas planetárias

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Representação de um planeta irradiado por uma estrela anã vermelha ativa
O espectro ultravioleta da estrela altera a composição e a estabilidade de atmosferas planetárias por redes de fotólise, ionização e reações subsequentes.

Na coma de um cometa, a radiação solar fotodissocia moléculas liberadas pelo núcleo e produz espécies observadas remotamente, como radicais e átomos. Em atmosferas planetárias e de exoplanetas, redes iniciadas pela fotólise podem produzir ou destruir aerossóis, moléculas oxidantes e gases usados para inferir composição atmosférica. Os mesmos dados de seção de choque e rendimento quântico empregados em modelos interestelares são, com campos de radiação apropriados, aplicados a cometas, discos protoplanetários e atmosferas planetárias.[17]

Em 2023, o Telescópio Espacial James Webb detectou dióxido de enxofre na atmosfera do exoplaneta WASP-39b. Simulações reproduziram o por uma rede fotoquímica iniciada pela radiação estelar. Essa foi a primeira detecção inequívoca de um produto fotoquímico na atmosfera de um exoplaneta.[18]

Aplicações

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Destino ambiental e tratamento de água

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Modelo em corte de uma unidade de tratamento de água por ultravioleta
Reatores ultravioletas podem desinfetar diretamente e, quando combinados com oxidantes, gerar espécies reativas que degradam contaminantes.

A fotólise direta pode reduzir a concentração de contaminantes que absorvem a radiação solar ou a radiação de uma lâmpada no meio em que se encontram. Em águas naturais, a matéria orgânica dissolvida e outras substâncias alteram a penetração da luz, extinguem estados excitados ou geram intermediários reativos. Resultados obtidos em água pura nem sempre se aplicam a rios, reservatórios ou efluentes.[6]

Em processos de oxidação avançada, a radiação ultravioleta é combinada com oxidantes, como o peróxido de hidrogênio, para produzir radical hidroxila. O contaminante pode então ser removido por uma combinação de fotólise direta e oxidação indireta. A eficiência depende do espectro da fonte, da absorção do composto, da dose de radiação, do pH e da presença de espécies que competem pelos radicais.[19]

O desaparecimento do composto inicial não comprova a remoção do risco, pois os fotoprodutos precisam ser detectados e avaliados. A mineralização completa, que converte o carbono orgânico em dióxido de carbono, exige em geral mais etapas do que o desaparecimento da molécula-alvo.[20]

Química analítica e biologia estrutural

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Na espectrometria de massa, a dissociação induzida por ultravioleta, ou UVPD, fragmenta íons selecionados e produz padrões usados para determinar estrutura. A técnica é aplicada a peptídeos, proteínas, lipídios, carboidratos e complexos não covalentes. Os canais da UVPD complementam os dados obtidos por dissociação colisional.[21]

Na espectroscopia de íons, a medição do número de fragmentos durante a varredura do comprimento de onda registra a absorção e forma um espectro de ação vibracional ou eletrônico de espécies presentes em pequena quantidade e difíceis de estudar por absorção convencional.[3]

Grupos fotolábeis e controle químico por luz

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Esquema de liberação de uma molécula por ruptura de um grupo fotolábil
Um grupo fotolábil bloqueia temporariamente uma função química, e a iluminação remove o bloqueio e libera a espécie ativa.

Grupos protetores fotolábeis, também chamados photocages, mantêm temporariamente inativa uma função química ou biomolécula. A iluminação rompe uma ligação no grupo e libera o composto em tempo e local controlados. O método é usado em síntese, materiais e experimentos biológicos para liberar mensageiros, fármacos ou outras espécies sem adicionar um reagente químico no momento da ativação.[22]

O comprimento de onda deve ser escolhido para que o grupo absorva e se dissocie com rendimento adequado sem causar reações indesejadas no meio. Em amostras biológicas, radiação de maior comprimento de onda costuma penetrar mais e causar menos dano que o ultravioleta. Grupos sensíveis ao visível e ao infravermelho próximo aproveitam essa diferença.[22]

Radiação de alta energia e eventos extremos

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Representação artística dos feixes estreitos de uma erupção de raios gama
Uma erupção de raios gama suficientemente próxima poderia iniciar química atmosférica secundária e reduzir o ozônio estratosférico.

Em energias de raios X e raios gama, a deposição de energia envolve a ionização e os elétrons secundários resultantes, que dissociam e e iniciam uma cadeia de química atmosférica. Se uma erupção de raios gama galáctica suficientemente próxima tivesse o feixe dirigido à Terra, as reações subsequentes formariam espécies reativas de nitrogênio, reunidas sob a designação , capazes de entrar em ciclos catalíticos de destruição do ozônio estratosférico.[23]

Em uma simulação de uma exposição de 100 kJ/m², a redução média global máxima do ozônio foi de cerca de 35%, com reduções regionais de até 55%, e a recuperação durou anos. Os valores mudaram com a latitude, a estação e as características da radiação.[23] No modelo, a maior passagem de radiação ultravioleta B até a superfície causou o dano biológico.

A erupção GRB 221009A, de 9 de outubro de 2022, perturbou o campo elétrico na parte superior da ionosfera, a cerca de 500 km de altitude.[24] A medida limitou-se à resposta ionosférica e não registrou dano à biosfera nem redução comparável do ozônio.

Ver também

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Leitura adicional

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  • Rodrigues, Janaina de Faria (2005). Estudo fotoquímico por fotólise por pulso de laser em nanossegundo de tioxantona (Tese de Dissertação de mestrado em Química). Seropédica: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Consultado em 21 de setembro de 2026 
  • Turro, Nicholas J.; Ramamurthy, V.; Scaiano, J. C. (2010). Modern Molecular Photochemistry of Organic Molecules (em inglês). [S.l.]: University Science Books. ISBN 9781891389252 
  • Klán, Petr; Wirz, Jakob (2009). Photochemistry of Organic Compounds: From Concepts to Practice (em inglês). [S.l.]: Wiley-Blackwell. ISBN 9781405161732 
  • Schinke, Reinhard (1993). Photodissociation Dynamics: Spectroscopy and Fragmentation of Small Polyatomic Molecules (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 9780521484145 

Referências

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  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 Vallance, Claire; Orr-Ewing, Andrew J. (20 de julho de 2023). «Virtual Issue on Photodissociation: From Fundamental Dynamics and Spectroscopy to Photochemistry in Planetary Atmospheres and in Space». The Journal of Physical Chemistry A (em inglês). 127 (28): 5767–5771. Bibcode:2023JPCA..127.5767V. PMID 37469270. doi:10.1021/acs.jpca.3c03975
  3. 1 2 3 4 5 Polfer, Nick C. (2011). «Infrared multiple photon dissociation spectroscopy of trapped ions». Chemical Society Reviews (em inglês). 40 (5): 2211–2221. doi:10.1039/C0CS00171F
  4. 1 2 3 4 Chang, Yao; Yu, Yong; An, Feng (30 de abril de 2021). «Three body photodissociation of the water molecule and its implications for prebiotic oxygen production». Nature Communications (em inglês). 12. 2476 páginas. PMC 8087761Acessível livremente. doi:10.1038/s41467-021-22824-7
  5. 1 2 Heays, A. N.; Bosman, A. D.; van Dishoeck, E. F. (2017). «Photodissociation and photoionisation of atoms and molecules of astrophysical interest». Astronomy & Astrophysics (em inglês). 602: A105. Bibcode:2017A&A...602A.105H. arXiv:1701.04459Acessível livremente. doi:10.1051/0004-6361/201628742
  6. 1 2 «Photolysis studies in water». Electronic Code of Federal Regulations (em inglês). United States Government Publishing Office. Consultado em 21 de setembro de 2026
  7. 1 2 Tolbert, Laren M.; Solntsev, Kyril M. (janeiro de 2002). «Excited-state proton transfer: from constrained systems to "super" photoacids to superfast proton transfer». Accounts of Chemical Research (em inglês). 35 (1): 19–27. PMID 11790085. doi:10.1021/ar990109f
  8. ↑ Dunbar, Robert C. (março–abril de 2004). «BIRD (blackbody infrared radiative dissociation): Evolution, principles, and applications». Mass Spectrometry Reviews (em inglês). 23 (2): 127–158. PMID 14732935. doi:10.1002/mas.10074
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  11. 1 2 Moortgat, Geert K. (2001). «Important photochemical processes in the atmosphere». Pure and Applied Chemistry (em inglês). 73 (3): 487–490. doi:10.1351/pac200173030487
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  13. ↑ Monks, P. S.; Archibald, A. T.; Colette, A. (13 de agosto de 2015). «Tropospheric ozone and its precursors from the urban to the global scale from air quality to short-lived climate forcer». Atmospheric Chemistry and Physics (em inglês). 15 (15): 8889–8973. doi:10.5194/acp-15-8889-2015
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  16. ↑ Wolfire, Mark G.; Vallini, Livia; Chevance, Mélanie (setembro de 2022). «Photodissociation and X-Ray-Dominated Regions». Annual Review of Astronomy and Astrophysics (em inglês). 60: 247–318. arXiv:2202.05867Acessível livremente. doi:10.1146/annurev-astro-052920-010254
  17. ↑ «Photodissociation and photoionization of astrophysically relevant molecules» (em inglês). Leiden Observatory. Consultado em 21 de setembro de 2026
  18. ↑ Tsai, Shang-Min; Lee, Elspeth K. H.; Powell, Diana (25 de maio de 2023). «Photochemically produced SO2 in the atmosphere of WASP-39b». Nature (em inglês). 617 (7961): 483–487. PMID 37100917. doi:10.1038/s41586-023-05902-2
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Ligações externas

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