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Renato Feder

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Renato Feder
Foto Oficial de Renato Feder como Secretário de Educação do Estado de São Paulo, em 2023.
33.° Secretário da Educação de São Paulo
Período1° de janeiro de 2023 até a atualidade
GovernadorTarcísio de Freitas
Antecessor(a)Hubert Alquéres
Secretário de Educação do Paraná
Período1° de janeiro de 2019 ate 31 de dezembro de 2022
GovernadorRatinho Júnior
Antecessor(a)Lucia Aparecida Cortez Martins
Sucessor(a)Roni Miranda Vieira
Dados pessoais
Nascimento28 de junho de 1978 (48 anos)
São Paulo, SP
NacionalidadeBrasileiro
Alma materFundação Getulio Vargas USP
ProfissãoEmpresário, Professor e Político

Renato Feder (São Paulo, 28 de junho de 1978) é um administrador de empresas, professor e empresário brasileiro. Serviu como Secretário de Educação do Paraná de 2019 até 2022 durante o primeiro governo Ratinho Júnior. Desde 2023, é Secretário de Educação do Estado de São Paulo durante o governo de Tarcísio de Freitas. Foi CEO da Multilaser de 2003 até 2018 e é acionista da empresa, a qual fechou contratos com o Governo Tarcísio, o que gerou controvérsia.[1][2]

Ao lado de Alexandre Ostrowiecki, principal acionista da Multilaser, fundou a plataforma Ranking dos Políticos em 2011.[3]

Trajetória

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Vida pessoal

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Feder pertence a uma família de judeus poloneses, que chegaram ao Brasil após o Holocausto.[4]

Política

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Em 2019, a convite do governador eleito Ratinho Junior, se tornou Secretário de Educação do Paraná, conseguindo elevar o estado, de 7° lugar em 2017 para 1° lugar em 2021 no ranking do IDEB, ganhando destaque nacional. Permaneceu no cargo até dezembro de 2022.[5]

Em 2020, foi convidado por Jair Bolsonaro para comandar o Ministério da Educação, mas a iniciativa não foi adiante, aparentemente pelo fato de que Feder era próximo do então governador de São Paulo, João Doria.[6]

Em 2023, a convite de Tarcísio de Freitas, assumiu a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, onde "apostou na digitalização das aulas e no monitoramento de resultados", mas não conseguiu obter o mesmo êxito obtido no Paraná. Em 2025, a rede estadual paulista (ensino médio regular) caiu da oitava posição no Ideb, obtida em 2023, para a décima posição. Feder defendeu-se alegando que a comparação não levava em conta "o tamanho da rede que administra e sustenta que o avanço é consistente".[5]

Publicações

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Carregando o Elefante

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Em 2007, em conjunto com seu amigo de infância e ex-sócio Alexandre Ostrowiecki, Feder lançou "Carregando o Elefante: Como Livrar-se do Peso que Impede os Brasileiros de Decolar". No livro, a dupla de empresários propõe, entre outras coisas, "a privatização do ensino público, com início pelas universidades"[5], visto que a iniciativa privada é "intrinsecamente mais eficiente na gestão de qualquer coisa".[6] Feder alegou posteriormente ter mudado de opinião sobre o tema, "após estudar experiências desse modelo em outros países".[5] Os autores também defendiam a legalização das drogas, a redução das Forças Armadas do Brasil, a privatização de "todos hospitais e postos de saúde, cabendo à assistência social pagar planos de famílias que comprovarem incapacidade de fazê-lo", e a total abolição da "previdência, tanto do setor público quanto do setor privado. Cada pessoa decide se quer ou não realizar plano privado de previdência social".[6]

Educação para o Futuro

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Renato Feder lançou em 2023 o livro "Educação para o Futuro: O passo a passo para construir uma gestão educacional focada em resultados". A obra apresenta um guia detalhado sobre como implementar uma gestão educacional eficiente e orientada para resultados. Feder compartilha suas experiências e estratégias desenvolvidas ao longo de sua carreira, destacando métodos inovadores para melhorar a qualidade da educação.[7]

O livro é dividido em capítulos que abordam temas essenciais como a gestão de recursos, a formação de professores, o uso de tecnologia na educação e a avaliação de desempenho escolar. Cada capítulo oferece uma combinação de teoria e prática, com exemplos reais e recomendações práticas para gestores educacionais.[7]

No entanto, acadêmicos apontam que a obra promove uma visão empresarial da educação, baseada em métricas quantitativas e gestão por resultados, que desconsidera aspectos pedagógicos essenciais. A abordagem de Feder reduz a complexidade do ensino a indicadores superficiais, ignorando o papel da autonomia docente e do pensamento crítico na formação dos estudantes. Além disso, sua visão tecnocrática tem sido associada a práticas autoritárias, que priorizam controle e padronização em detrimento de uma educação verdadeiramente humanizadora.[7]

Gestão pública

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Durante sua gestão como secretário da Educação do Paraná (2019–2022), o estado registrou avanços em indicadores educacionais. No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o Paraná passou do 7.º lugar entre as redes estaduais de ensino médio para o 1.º lugar no ranking nacional em 2021.[8][9]

Dados anteriores já indicavam melhora no desempenho educacional do estado. No Ideb de 2019, o Paraná superou as metas estabelecidas para o ensino fundamental, embora tenha ficado abaixo da meta no ensino médio.[10]

Durante o período da pandemia de COVID-19, redes de ensino públicas e privadas no Brasil enfrentaram mudanças no número de matrículas. No Paraná, após a pandemia, escolas particulares voltaram a registrar aumento de matrículas após um período de migração de alunos para a rede pública.[11][12]

Durante sua gestão como Secretário de Educação do Paraná, desenvolveu um método de ensino que chamava de "antipatriotas" as pessoas que combateram as ditaduras militares na América do Sul. Um slide, criado por empresa contratada pelo estado, apresentava a Operação Condor afirmando que quem se posicionava contra ela eram "esquerdistas, antipatriotas e subversivos".[13]

São Paulo

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Em sua gestão como secretário da Educação do estado de São Paulo, foram divulgados resultados auspiciosos em avaliações educacionais. Segundo o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), estudantes da rede estadual obtiveram seu melhor desempenho histórico em matemática.[14][15] Todavia, e apesar do fato de que tenha apresentado melhorias, o ensino médio em São Paulo continua fora dos "cinco primeiros colocados no ranking nacional, embora seja o Estado mais rico do País", atrás de "Paraná, Piauí, Pernambuco, Ceará e Minas". Em 2017, São Paulo ocupava a quarta posição no ranking do Ideb.[16]

Ao assumir a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, Feder anunciou a contratação da plataforma Alura,[17] para disponibilizar aulas sobre tecnologia para os alunos de São Paulo a um custo de 30 milhões de reais, sem licitação.[18] A nova metodologia, ao "implantar uma lógica agressiva de resultados e mercado", teria provocado "uma onda de adoecimentos sem precedentes entre diretores, professores e alunos".[19]

Outra controvérsia envolvendo o secretário foi a instalação do aplicativo "Minha Escola SP" nos celulares dos professores estaduais de São Paulo sem o consentimento deles, o que violaria a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.[20] O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo recebeu as reclamações após professores constatarem a presença do aplicativo sem que o tivessem instalado, tanto nos chips distribuídos durante a pandemia de COVID-19 quanto nos chips pessoais. A Secretaria de Educação, por sua vez, informou que abriu procedimento administrativo para apurar o ocorrido.[21][22][23][24][25]

Depois do governo de Tarcísio de Freitas anunciar a saída do Programa Nacional do Livro Didático e a digitalização do material escolar, foi distribuído aos alunos da rede estadual material didático com erros factuais, dentre eles:

  • a informação de que haveria praia na cidade de São Paulo (a capital fica a pelo menos 70 km do litoral) [26];
  • a informação de que a Lei Áurea teria sido assinada por Dom Pedro II (na verdade, foi por Princesa Isabel);[27]
  • a informação de que doenças como Parkinson e Alzheimer poderiam ser transmitidas pela água ou por metais pesados (não há pesquisa científica conclusiva neste sentido);[28]

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo suspendeu os materiais que continham erros. [29]

Ligações externas

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Referências

  1. ↑ «MP investiga secretário de Educação de SP por conflito de interesse em contratos da gestão estadual». G1. 5 de agosto de 2023. Consultado em 16 de setembro de 2023
  2. ↑ «Empresa ligada a secretário de Educação firmou três novos contratos com o governo Tarcísio». Folha de S.Paulo. 11 de agosto de 2023. Consultado em 8 de outubro de 2025
  3. ↑ «Ranking dos Políticos». On Think Tanks (em inglês). Consultado em 7 de outubro de 2026
  4. ↑ «Renato Feder, uma história voltada à Educação». Mural do Paraná. 14 de fevereiro de 2019. Consultado em 12 de outubro de 2026
  5. 1 2 3 4 «Dois secretários de Educação lideram lista para MEC em governo Flávio». JusConsulta. 5 de outubro de 2026. Consultado em 12 de outubro de 2026
  6. 1 2 3 «Cotado para ministro da Educação já propôs privatizar todas as escolas e universidades». G1. BBC. 3 de julho de 2020. Consultado em 12 de outubro de 2026
  7. 1 2 3 Vernucci da Silva, Lenina (20 de setembro de 2024). «Educação para o futuro». Aurora. 17. Consultado em 3 de fevereiro de 2025. Cópia arquivada em 9 de outubro de 2024
  8. ↑ «Paraná tem salto no Ideb do ensino médio de 7º para 1º lugar». Veja. Consultado em 6 de março de 2026
  9. ↑ «Paraná tem melhor educação do Brasil no ranking geral do Ideb». Governo do Paraná. Consultado em 6 de março de 2026
  10. ↑ «Ideb: Paraná supera meta do ensino fundamental, mas fica abaixo do objetivo no ensino médio em 2019». G1. Consultado em 6 de março de 2026
  11. ↑ «Após período pandêmico, escolas particulares voltam a registrar mais matrículas no Paraná». G1. Consultado em 6 de março de 2026
  12. ↑ «Pandemia levou alunos de escolas particulares para rede pública». Gazeta do Povo. Consultado em 6 de março de 2026
  13. ↑ Bimbati, Ana Paula (13 de setembro de 2023). «PR: Método criado por Feder chamou de antipatriota quem combateu ditadura…». UOL Educação. Consultado em 8 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 8 de outubro de 2025
  14. ↑ «Saresp: matemática tem melhor desempenho histórico na rede estadual de SP». CNN Brasil. Consultado em 6 de março de 2026
  15. ↑ «Estudantes da rede estadual de São Paulo alcançam recorde histórico de aprendizagem em matemática». Secretaria da Educação de São Paulo. Consultado em 6 de março de 2026
  16. ↑ «Estado de São Paulo melhora no ensino médio, mas segue fora do top 5 do Ideb». UOL. Estadão. 5 de agosto de 2026. Consultado em 12 de outubro de 2026
  17. ↑ Cássio, Fernando (9 de dezembro de 2025). «Tarcísio quer reorganizar escolas públicas com planos sem evidências que fazem alunos de cobaia». Intercept Brasil. Consultado em 14 de dezembro de 2025
  18. ↑ «Governo Tarcísio contratou plataforma de videoaulas por R$ 30 milhões sem licitação». Folha de S.Paulo. 13 de setembro de 2023. Consultado em 16 de setembro de 2023
  19. ↑ Nascimento, Gilberto (8 de dezembro de 2025). «Governo Tarcísio: pressão em escolas leva professores à morte; aluna de 14 anos tenta suicídio». Intercept Brasil. Consultado em 14 de dezembro de 2025
  20. ↑ Filho, João (5 de agosto de 2023). «Tarcísio quer aniquilar escola pública para lucrar com ela». Intercept Brasil. Consultado em 14 de dezembro de 2025
  21. ↑ Pereira, Renato. «Alunos e professores da rede estadual de SP relatam download involuntário de app em dispositivos eletrônicos». CNN Brasil. Consultado em 16 de setembro de 2023
  22. ↑ «Governo de SP instala app em celulares de professores sem autorização | Metrópoles». www.metropoles.com. 9 de agosto de 2023. Consultado em 16 de setembro de 2023
  23. ↑ «Como Governo de SP instalou sem aval app em celular de alunos e professores». UOL. 13 de agosto de 2023. Consultado em 16 de setembro de 2023
  24. ↑ «Secretaria da Educação instala aplicativo em celular de professores e alunos de São Paulo sem autorização». CartaCapital. 10 de agosto de 2023. Consultado em 16 de setembro de 2023
  25. ↑ «App do governo de SP é instalado sem autorização em celulares de professores e alunos». Folha de S.Paulo. 9 de agosto de 2023. Consultado em 16 de setembro de 2023
  26. ↑ Trecco, Giulia (19 de janeiro de 2022). «Qual é a praia mais perto da cidade de São Paulo?». São Paulo Secreto. Consultado em 16 de setembro de 2023
  27. ↑ Gomes, Giovanna (1 de setembro de 2023). «Material didático do governo Tarcísio diz que D. Pedro II assinou a Lei Áurea». Aventuras na História. Consultado em 12 de outubro de 2026
  28. ↑ «Água transmite Alzheimer e capital com praia: os livros didáticos de Tarcísio são um desastre». revistaforum.com.br (em espanhol). 31 de agosto de 2023. Consultado em 16 de setembro de 2023
  29. ↑ Lucas Saba (4 de setembro de 2023). «Justiça de SP suspende material didático digital com erros históricos». Gazeta do Povo. Consultado em 16 de setembro de 2023