Mirídeos
| Mirídeos | |
|---|---|
| Rhabdomiris striatellus | |
| Classificação científica | |
| Reino: | |
| Filo: | |
| Classe: | |
| Ordem: | |
| Subordem: | |
| Infraordem: | |
| Família: | Miridae |
| Espécie-tipo | |
| Cimex striatus L. | |
| Subfamílias | |
| |
| Sinónimos | |
|
Capsidae Burmeister, 1835 | |
Os mirídeos (Miridae) constituem uma grande e diversificada família de insetos, antigamente conhecida pelo sinónimo taxonómico Capsidae.[1] Os membros desta família são comumente chamados de percevejos-das-plantas. É a maior família da subordem Heteroptera, englobando mais de 10 000 espécies conhecidas distribuídas por cerca de 1383 géneros ao redor do mundo, com novas espécies descritas continuamente.
A distribuição do grupo revela uma forte presença nas Américas: a Região Neotropical abriga aproximadamente 3000 espécies (o dobro do registado para a Região Neárctica), enquanto no Brasil estão catalogadas cerca de 1000 espécies. Apesar dessa riqueza, a diversidade de mirídeos permanece praticamente desconhecida em várias regiões brasileiras, com o estado de Minas Gerais a apresentar a maior riqueza documentada no país (155 espécies).[2]
A maioria das espécies conhecidas é fitófaga (ou fitosuccívora), perfurando tecidos vegetais para se alimentar da seiva. Por essa razão, constituem notórias pragas agrícolas que causam danos significativos a plantas cultivadas e podem transmitir viroses vegetais. Contudo, diversas espécies apresentam hábitos predadores ou omnívoros (predação facultativa), possuindo potencial para utilização como agentes de controlo biológico.[2] A constante identificação de novas espécies e a mudança de hospedeiros em áreas agrícolas refletem uma dinâmica adaptativa contínua, frequentemente associada às transformações tecnológicas no maneio agrícola.[2]
Descrição
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Os Miridae são insetos terrestres de pequenas dimensões, geralmente de forma oval ou alongada, medindo menos de 12 mm de comprimento. Muitos apresentam uma aparência encurvada, devido à forma do protórax, que mantém a cabeça inclinada para baixo. Algumas espécies exibem cores vivas e padrões vistosos, enquanto outras são escuras ou de tonalidades mais discretas, sendo a maioria bastante camuflada. Alguns géneros são miméticos de formigas em determinadas fases do seu ciclo de vida. Os Miridae não possuem ocelos. O seu rostro é composto por quatro segmentos. Uma característica útil para identificar os membros desta família é a presença de um cúneo; trata-se da extremidade triangular do cório, a parte firme e esclerotizada da asa anterior (o hemiélitro). O cúneo é visível em quase todos os Miridae e em apenas alguns dos outros Hemiptera, nomeadamente na família Anthocoridae, que difere substancialmente dos mirídeos nos restantes aspetos. Os tarsos possuem quase sempre três segmentos.[3]
Algumas espécies de mirídeos
[editar | editar código]- Percevejos do género Lygus (Lygus spp.) são pragas graves na agricultura, afetando culturas de algodão, morango e lucerna.
- Stenotus binotatus, uma praga secundária de culturas de cereais, especialmente do trigo.
- Campylomma liebknechti danifica flores de macieira e frutos em desenvolvimento.
- Percevejos-do-mosquito (géneros Helopeltis e Afropeltis) – infestam várias culturas, incluindo chá, cacau e algodão.

- Mirídeo-verde (Creontiades dilutus) – causa danos em diversos tipos de culturas agrícolas.
- Percevejo-da-batata (Closterotomus norwegicus) – é uma praga assinalável de culturas de batata e trevo na Nova Zelândia.
- Deraeocoris nebulosus – prefere outros insetos em vez de plantas na sua dieta, sendo utilizado como agente de controlo biológico contra ácaros e cochonilhas.[carece de fontes]
- Dicyphus hesperus – suga a seiva de várias plantas e preda a mosca-branca e o ácaro-vermelho, podendo ser utilizado no controlo biológico de pragas.[4]
Sistemática
[editar | editar código]Esta família inclui um elevado número de espécies, muitas das quais ainda desconhecidas, distribuídas por mais de 1 300 géneros. A árvore taxonómica abrange as seguintes subfamílias e numerosas tribos:
Psallopinae
[editar | editar código]Autor: Schuh, 1976
- Isometopsallops Herczek & Popov, 1992
- Psallops Usinger, 1946
- †Cylapopsallops Popov & Herczek, 2006
- †Epigonopsallops Herczek & Popov, 2009
Géneros Incertae sedis
[editar | editar código]A base de dados BioLib inclui:
- Amulacoris Carvalho & China, 1959
- Anniessa Kirkaldy, 1903
- Auchus Distant, 1893
- Bahiarmiris Carvalho, 1977
- Brasiliocarnus Kerzhner & Schuh, 1995
- Carmelinus Carvalho & Gomes, 1972
- Carmelus Drake & Harris, 1932
- Chaetophylidea Knight, 1968
- Charitides Kerzhner, 1962
- Colimacoris Schaffner & Carvalho, 1985
- Cylapocerus Carvalho & Fontes, 1968
- Dimorphocoris Reuter, 1890
- Duckecylapus Carvalho, 1982
- Englemania Carvalho, 1985
- Eurycipitia Reuter, 1905
- Faliscomiris Kerzhner & Schuh, 1998
- Fuscus Distant, 1884
- Guerrerocoris Carvalho & China, 1959
- Gunhadya - monotípico Gunhadya rubrofasciata Distant, 1920
- Heterocoris Guérin-Ménéville em Sagra, 1857
- Knightocoris Carvalho & China, 1951
- Leonomiris Kerzhner & Schuh, 1998
- Macrotyloides Van Duzee, 1916
- Merinocapsus Knight, 1968
- Mircarvalhoia Kerzhner & Schuh, 1998
- Montagneria Akingbohungbe, 1978
- Muirmiris Carvalho, 1983
- Myochroocoris Reuter, 1909
- Nesosylphas Kirkaldy, 1908
- Notolobus Reuter, 1908
- Nymannus Distant, 1904
- Paracoriscus Kerzhner & Schuh, 1998
- Paraguayna Carvalho, 1986
- Prodomopsis a definir
- Prodomus a definir
- Pseudobryocoris Distant, 1884
- Pygophorisca Carvalho & Wallerstein, 1978
- Rayeria a definir
- Rewafulvia Carvalho, 1972
- Rhynacloa Reuter
- Rondonisca Carvalho & Costa, 1994
- Rondonoides Carvalho & Costa, 1994
- Rondonotylus Carvalho & Costa, 1994
- Spanogonicus Berg
- Sthenaridia a definir
- Zoilus Distant, 1884
Referências
[editar | editar código]- ↑ Henry, T. J. and A. G. Wheeler, Jr., 1988A. Family Miridae Hahn, 1833 (= Capsidae Burmeister, 1835). The plant bugs, pp. 251--507. In: Henry, T. J. and R. C. Froeschner (eds.), Catalog of the Heteroptera, or True Bugs of Canada and the Continental United States. E. J. Brill, Leiden.
- 1 2 3 Ferreira, P. S. F. (novembro de 2001). «Miridae (Heteroptera) fitófagos e predadores de Minas Gerais, Brasil, com ênfase em espécies com potencial econômico». Porto Alegre. Iheringia, Série Zoologia (91): 159–169
- ↑ Richards, O. W.; Davies, R.G. (1977). Imms' General Textbook of Entomology: Volume 1: Structure, Physiology and Development Volume 2: Classification and Biology. Berlim: Springer. ISBN 0-412-61390-5
- ↑ McGregor, Robert R.; Gillespie, David R.; Quiring, Donald M.J.; Foisy, Mitch R.J. (1999). «Potential Use of Dicyphus hesperus Knight (Heteroptera: Miridae) for Biological Control of Pests of Greenhouse Tomatoes». Biological Control. 16 (1): 104–110. doi:10.1006/bcon.1999.0743
- ↑
Junggon, Kim; Hong, Ki Min; Woon, Kee Paek; Sunghoon, Jung (2017). «Two new records of the subfamily Deraeocorinae (Hemiptera: Heteroptera: Miridae) from the Korean Peninsula». Journal of Asia-Pacific Biodiversity. 10 (3): 396–398. doi:10.1016/j.japb.2017.05.001

Leituras adicionais
[editar | editar código]- Cassis, G.; Schuh, R. T. (2012). «Systematics, Biodiversity, Biogeography, and Host Associations of the Miridae (Insecta: Hemiptera: Heteroptera: Cimicomorpha)». Annual Review of Entomology. 57: 377–404. PMID 22149267. doi:10.1146/annurev-ento-121510-133533
- Wheeler, Alfred George Jr. (2001). Biology of the plant bugs (Hemiptera: Miridae), pests, predators, opportunists
. Ítaca, Nova Iorque: Cornell University Press. ISBN 978-0-8014-3827-1 Pré-visualização no Google Livros
Ligações externas
[editar | editar código]http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0073-47212001000200022
