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Zootropo

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Réplica de um zootropo vitoriano

O zootropo, também chamado zootrópio, é um dispositivo de animação do pré-cinema que produz a ilusão de movimento ao exibir uma sequência de desenhos ou fotografias que mostram fases progressivas desse movimento. É uma variante cilíndrica do fenacistoscópio, aparelho proposto depois da introdução dos discos estroboscópicos em 1833. A forma definitiva do zootropo, com tiras de imagens substituíveis, foi lançada como brinquedo pela Milton Bradley Company em 1866 e alcançou grande sucesso.

Etimologia

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O nome zoetrope foi formado a partir das palavras gregas ζωή, zoe, "vida", e τρόπος, tropos, "giro", como tradução de "roda da vida". O termo foi cunhado pelo inventor William E. Lincoln, de Providence, em Rhode Island.[1]

Tecnologia

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Simulação de um zootropo. A observação pela fenda central no quadro superior mostra uma animação tremeluzente. O quadro inferior mostra a aparência sem a observação por uma fenda.

O zootropo consiste em um cilindro com fendas verticais nas laterais. Na superfície interna há uma faixa com uma sequência de imagens. Quando o cilindro gira, o usuário observa as figuras do lado oposto através das fendas. A passagem das fendas diante dos olhos impede que as imagens simplesmente se misturem em um borrão, e a rápida sucessão de figuras produz a ilusão de movimento. A partir do fim do século XIX foram criados dispositivos baseados em princípios semelhantes, chamados, por analogia, de zootropos lineares e zootropos 3D. Quando é preciso distingui-los, os modelos tradicionais são chamados de "zootropos cilíndricos".

O zootropo funciona pelo mesmo princípio de seu antecessor, o fenacistoscópio, mas é mais prático e permite que a animação seja vista por mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Em vez de serem dispostas radialmente em um disco, as imagens que mostram as fases do movimento ficam em uma tira de papel. Para a visualização, essa tira é colocada contra a superfície interna da parte inferior de um tambor metálico aberto na parte superior. A parte superior do tambor tem uma fenda vertical de observação diante de cada imagem. O tambor é montado sobre um eixo e posto para girar. Quanto maior a velocidade de rotação, mais suave parece a animação.

Dispositivos giratórios anteriores com imagens

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Dispositivo apresentado por John Bate em The Mysteries of Nature and Art (1635)

Uma tigela de cerâmica do Irã, com mais de 5.000 anos, foi comparada ao zootropo por trazer imagens em sequência. Ela é decorada por uma sequência de imagens de uma cabra saltando em direção a uma árvore e comendo suas folhas.[2] Embora as imagens sejam sequenciais e pareçam distribuídas de modo uniforme em torno da tigela, para que fossem percebidas como animação seria necessário girá-la de forma rápida e constante e produzir de algum modo um efeito estroboscópico. Por isso, não se sabe se o artista que criou a peça pretendia de fato produzir uma animação.

Um texto histórico chinês do século IV relata que o engenheiro mecânico e artesão chinês Ding Huan, do século I a.C., criou uma lâmpada com uma faixa circular contendo imagens de pássaros e animais que se moviam "de modo bastante natural" quando o calor fazia a faixa girar. Não está claro, porém, se o aparelho criava uma ilusão de movimento ou se o relato se referia ao deslocamento espacial das figuras.[3] O mesmo dispositivo talvez tenha sido chamado de "lâmpada-guarda-chuva" e foi mencionado pelo historiador da tecnologia chinesa Joseph Needham como "uma espécie de zootropo" que "pode muito bem ter se originado na China". O aparelho tinha figuras pintadas em lâminas finas de papel ou mica nas laterais de uma cobertura cilíndrica leve, com pás na parte superior. Colocada sobre uma lâmpada, a estrutura dava a impressão de movimento de animais ou pessoas. Needham menciona outras descrições de figuras que se moviam após o acendimento de uma vela ou lâmpada, mas algumas têm caráter semilendário ou podem ser comparadas a brinquedos de carrossel movidos pelo calor.[4] É possível que esses exemplos chineses fossem iguais ou muito semelhantes à "lâmpada do cavalo trotador" [走馬燈], conhecida na China desde antes do ano 1000. Trata-se de uma lanterna que tem, no interior, silhuetas recortadas ou figuras pintadas presas a um eixo com um rotor de papel na parte superior, movido pelo ar aquecido que sobe da lâmpada. As silhuetas em movimento são projetadas nas laterais de papel fino da lanterna.[5] Algumas versões acrescentavam movimentos nas cabeças, nos pés ou nas mãos articuladas das figuras, acionados por um fio de ferro transversal.[5] Nenhuma dessas lâmpadas é conhecida por empregar a substituição sequencial de imagens para representar fases de um movimento e, por isso, elas não exibem animação da mesma maneira que o zootropo.

Dispositivo de animação em quatro fases representado em Living Pictures (1899), de Henry V. Hopwood

John Bate apresentou um dispositivo simples em seu livro The Mysteries of Nature and Art, de 1634. Ele consistia em "um cartão leve, com diversas imagens sobre ele", preso aos quatro raios de uma roda que girava pelo calor dentro de um cilindro de vidro ou chifre, "de modo que se pensaria que as imagens fossem criaturas vivas por causa de seu movimento".[6] A descrição se aproxima bastante de um brinquedo simples de animação em quatro fases representado e explicado no livro Living Pictures, de Henry V. Hopwood, publicado em 1899. Hopwood não forneceu nome, data nem outras informações sobre o brinquedo, que girava quando alguém soprava sobre ele.[7] Um aparelho semelhante, instalado em um pequeno tambor de zootropo com quatro fendas, foi comercializado por volta de 1900 por uma empresa parisiense como L'Animateur, ou The Animator.[8] O dispositivo de Bate, tal como mostrado na ilustração que acompanha sua descrição, aparentemente não animava as figuras, apenas as deslocava pelo espaço.

Invenção

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Simon Stampfer (1833)

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Simon Stampfer, um dos inventores do disco de animação fenacistoscópio, que ele chamava de "discos estroboscópicos", propôs em julho de 1833, em um folheto, que a sequência de imagens de uma animação estroboscópica poderia ser colocada em um cilindro ou em uma tira contínua de papel ou tela esticada em torno de dois rolos paralelos.[9]

William Horner (1834)

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Depois de conhecer a invenção do phénakisticope por Joseph Plateau, publicada em Londres com o nome de "phantasmascope", o matemático britânico William George Horner concebeu uma variante cilíndrica e publicou em janeiro de 1834 detalhes sobre seus princípios matemáticos.[10] Ele chamou o aparelho de Dædaleum, em referência ao mito grego de Dédalo.[11] No tambor giratório de Horner, as fendas de observação ficavam entre as imagens, e não acima delas como nas versões posteriores do zootropo. Horner planejava publicar o dædaleum com o oculista King, Jr., de Bristol, mas o projeto "encontrou algum impedimento, provavelmente no desenho das figuras".[10]

Visualizadores experimentais de sequências fotográficas (décadas de 1850 e 1860)

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Stereophoroskop de Czermak, de 1855

Nas três décadas seguintes, o phénakisticope permaneceu como o dispositivo de animação mais comum, e apenas algumas variações experimentais seguiram a ideia do dædaleum de Horner ou do cilindro estroboscópico de Stampfer. Muitos dos aparelhos semelhantes ao zootropo criados entre 1833 e 1865 destinavam-se à visualização de sequências fotográficas, muitas vezes com efeito estereoscópico.[11] Entre eles estava o Stereophoroskop, de Johann Nepomuk Czermak, sobre o qual ele publicou um artigo em 1855.[12]

Em 27 de fevereiro de 1860, Peter Hubert Desvignes recebeu a patente britânica nº 537 para 28 variações monoculares e estereoscópicas de dispositivos estroboscópicos cilíndricos. Uma delas usava uma faixa contínua de imagens que passava entre dois carretéis e era iluminada de forma intermitente por uma faísca elétrica.[13] O Mimoscope de Desvignes recebeu uma menção honrosa "pela engenhosidade da construção" na Exposição Internacional de 1862, em Londres.[14] O aparelho podia "exibir desenhos, modelos, fotografias simples ou estereoscópicas, de modo a animar movimentos de animais ou de máquinas, além de mostrar outras ilusões".[15] Desvignes também "empregou modelos, insetos e outros objetos, em vez de imagens, com perfeito sucesso". As fendas horizontais, semelhantes às do Stereophoroskop de Czermak, permitiam uma visão muito melhor, com os dois olhos, das figuras do lado oposto.[16]

O zootropo de William Ensign Lincoln e Milton Bradley (1865–1867)

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Patente norte-americana nº 64.117 de W. E. Lincoln, de 23 de abril de 1867

William Ensign Lincoln inventou a forma definitiva do zootropo em 1865, quando tinha cerca de 18 anos e cursava o segundo ano na Universidade Brown, em Providence, Rhode Island. Na versão patenteada por Lincoln, as fendas de observação ficavam em um nível acima das imagens, o que permitia o uso de tiras facilmente substituíveis. O aparelho também tinha um disco de papel ilustrado na base, recurso que nem sempre foi aproveitado nas versões comerciais. Por sugestão do proprietário de uma livraria local, Lincoln enviou um modelo aos litógrafos coloristas e fabricantes de jogos de tabuleiro Milton Bradley and Co.[11] Alguns lojistas anunciavam o zootropo em jornais norte-americanos já em dezembro de 1866.[17] William E. Lincoln solicitou uma patente norte-americana para seu Zoëtrope em 27 de julho de 1866,[18] como cedente à Milton Bradley, e a patente foi concedida em 23 de abril de 1867.[19] O aparelho também foi patenteado no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda em 7 de junho de 1867, após pedido de 6 de março, sob o nº 629, por Henry Watson Hallett, que agiu a partir de uma comunicação de Milton Bradley,[11] e no Segundo Império Francês por Charles William May, com pedido apresentado em 14 de maio de 1867.[18]

Ao longo dos anos, a Milton Bradley lançou pelo menos sete séries numeradas, cada uma com doze tiras para zootropo, além de um conjunto de doze tiras do professor Robert Hallowell Richards que mostravam transformações graduais de uma forma isométrica em outra,[20] e uma tira vendida separadamente que mostrava a progressão da Grecian bend, com uma mulher se transformando em camelo.[11] A London Stereoscopic and Photographic Company recebeu licença para publicar o produto no Reino Unido e repetiu a maior parte das animações da Milton Bradley. Em 1870, acrescentou um conjunto de doze animações do ilustrador britânico George Cruikshank.[21] A licenciada francesa F. Delacour & Bakes produziu o "Zootrope, ou cercle magique", do qual o jornal Le Figaro encomendou 10.000 exemplares para vender aos assinantes a preço reduzido.[18]

Zootropo aperfeiçoado de James Clerk Maxwell

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Em 1868, James Clerk Maxwell mandou construir um zootropo aperfeiçoado.[22] Em vez de fendas, o aparelho usava lentes côncavas com distância focal igual ao diâmetro do cilindro. A imagem virtual era vista no centro e parecia muito mais nítida e estável que no zootropo original. Maxwell desenhou tiras que, em sua maioria, mostravam temas de física, como as vibrações da corda de uma harpa ou os anéis de vórtice de Helmholtz atravessando uns aos outros. Um artigo sobre o "Zootrope perfectionné" foi publicado na revista científica francesa Le Cosmos em 1869,[23] mas o aparelho nunca foi comercializado. O zootropo original de Maxwell e algumas de suas tiras fazem parte da coleção do Cavendish Museum, em Cambridge.

Zootropos lineares

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Um zootropo linear consiste em uma tela opaca e comprida com fendas verticais estreitas. Atrás de cada fenda há uma imagem, geralmente iluminada. A animação é percebida quando o observador passa diante da tela.

A geometria diferente produz algumas diferenças em relação aos zootropos cilíndricos. Zootropos lineares podem exibir animações de comprimento arbitrário e fazer com que as imagens pareçam mais largas do que realmente são.

Zootropos no metrô

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Publicidade semelhante a um zootropo linear já era usada no Japão no início da década de 1990, por exemplo na linha entre o aeroporto de Narita e o centro de Tóquio.

Estados Unidos

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A obra Masstransiscope

Em setembro de 1980, o cineasta independente Bill Brand instalou um tipo de zootropo linear que chamou de Masstransiscope em uma plataforma desativada da antiga estação Myrtle Avenue, no Metropolitano de Nova Iorque. A obra consiste em uma parede com 228 fendas. Atrás de cada uma há um painel pintado à mão, e os passageiros dos trens em movimento veem uma animação. Depois de se deteriorar, o Masstransiscope foi restaurado no fim de 2008.[24] Desde então, artistas e anunciantes passaram a usar paredes de túneis de metrô para produzir um efeito de zootropo visto de trens em movimento.

Quando era estudante de pós-graduação em astrofísica, Joshua Spodek concebeu e dirigiu o desenvolvimento de uma categoria de zootropos lineares que deu ao aparelho seu primeiro êxito comercial em mais de um século. Uma instalação baseada em seu projeto estreou em setembro de 2001 em um túnel do Metropolitano de Atlanta e mostrava um anúncio aos passageiros que passavam pelo local. A instalação, iluminada por dentro, tinha quase 300 m de comprimento, e a animação durava cerca de 20 segundos. O projeto logo passou a ser usado comercial e artisticamente em sistemas de metrô da América do Norte, Ásia e Europa.[25]

Em abril de 2006, o Metropolitano de Washington instalou zootropos publicitários entre as estações Metro Center e Gallery Place.[26] Um anúncio semelhante foi instalado nos trens da PATH, em Nova Jersey, entre as estações World Trade Center e Exchange Place.

Na mesma época, o BART, na região de São Francisco, instalou um anúncio do tipo zootropo entre as estações Embarcadero e Montgomery, visível aos passageiros nos dois sentidos. Os anúncios do BART continuam visíveis, mas são trocados com pouca frequência. Um mesmo anúncio pode permanecer instalado por meses antes de ser substituído.

O Metropolitano de Nova Iorque abrigou dois zootropos lineares digitais por meio de seu programa Arts for Transit. Um deles, "Bryant Park in Motion", foi instalado em 2010 na estação Bryant Park e foi criado por Spodek e estudantes da Tisch School of the Arts, da Universidade de Nova Iorque.[27] O outro, "Union Square in Motion", foi instalado em 2011 por Spodek e estudantes e ex-alunos do programa de Arte, Mídia e Tecnologia da Parsons the New School for Design, na estação Union Square.[28]

Outros locais

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O Metropolitano de Kiev, em Kiev, na Ucrânia, também exibiu por volta de 2008 um anúncio da operadora de telefonia móvel Life em um de seus túneis, com efeito de zootropo. O anúncio foi retirado pouco depois.

Na Cidade do México, um anúncio do Honda Civic com efeito de zootropo foi instalado em um dos túneis da Linha 2 do Metrô da Cidade do México.

O Skymetro, no Aeroporto de Zurique, usa um zootropo linear.[29]

O estúdio de animação LAIKA criou um zootropo linear com áudio sincronizado aos movimentos dos lábios, câmera, volante e rostos impressos em 3D para a palestra TED de Brian McLean.

Zootropos 3D

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Zootropo de Marey, de 1887, com dez esculturas mostrando fases diferentes do voo de uma gaivota

Os zootropos 3D aplicam o mesmo princípio a modelos tridimensionais, técnica já usada por Czermak em 1855 e Desvignes em 1860 em aparelhos anteriores ao zootropo. Em 1887, Étienne-Jules Marey usou um grande zootropo para animar uma sequência de modelos de gesso baseados em suas cronofotografias de aves em voo.[21] As versões recentes costumam dispensar o tambor com fendas e usar uma luz estroboscópica de alta frequência para iluminar os modelos, produzindo imagens mais claras, nítidas e sem distorção. Os modelos são montados sobre uma base giratória, e a luz acende e apaga durante uma fração muito pequena de segundo quando cada modelo sucessivo passa pelo mesmo ponto. O efeito estroboscópico faz cada modelo parecer um único objeto animado. Se a velocidade de rotação ficar ligeiramente fora de sincronização com a frequência dos flashes, os objetos animados também podem parecer deslocar-se lentamente para a frente ou para trás, conforme cada rotação seja um pouco mais rápida ou mais lenta que a sequência correspondente de flashes.

O artista de mídia Toshio Iwai usa variações do zootropo em seus trabalhos desde a década de 1980. Ele supervisionou um zootropo 3D com personagens do filme de animação Tonari no Totoro para o Museu Ghibli, aberto em 2001 em Tóquio, Japão.[30] O zootropo é acompanhado por uma explicação e integra uma exposição sobre os princípios da animação e seus dispositivos históricos.

Toy Story

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A Pixar criou um zootropo 3D inspirado no modelo do Studio Ghibli para uma exposição itinerante que foi mostrada pela primeira vez no Museu de Arte Moderna, em Nova Iorque, com personagens de Toy Story 2. A Pixar produziu outros dois zootropos 3D, os dois com visão em 360 graus. Um foi instalado no Disney California Adventure, parque vizinho à Disneyland, e depois transferido para o complexo Walt Disney Studios, em Burbank, Califórnia. O outro permaneceu na Hong Kong Disneyland de 2010 a 2017 e passou a ser exibido na Disneyland Paris no fim de 2019. O zootropo original de Toy Story continua em circulação internacional e, desde 2005, foi mostrado em 34 museus e galerias de arte de 18 países.[31]

All Things Fall

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All Things Fall é um zootropo impresso em 3D criado pelo artista britânico Mat Collishaw. A obra foi inspirada em uma pintura de Ippolito Scarsella sobre o Massacre dos Inocentes.[32] O trabalho foi apresentado durante a exposição individual Black Mirror, na Galleria Borghese, em Roma. É feito de aço, alumínio, gesso e resina, iluminado por LEDs e movido por um motor elétrico. Collishaw afirmou sobre a obra: "O zootropo literalmente repete personagens para criar uma orgia de violência esmagadora que é ao mesmo tempo aterradora e atraente." Cada figura foi impressa em 3D em acrilonitrila butadieno estireno pela técnica de fabrico de filamento fundido.[32]

Peter Hudson

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Entre 2002 e 2016, Peter Hudson e os criadores da Spin Art, LLC produziram instalações artísticas de zootropos 3D estroboscópicos e interativos. A primeira foi Sisyphish (2002),[33] um zootropo movido por força humana que usava luz estroboscópica para animar figuras humanas nadando sobre um grande disco giratório. Sisyphish, às vezes chamado de The Playa Swimmers,[34] foi apresentado pela primeira vez no evento de artes e cultura Burning Man, no Deserto de Black Rock, em Nevada.

Hudson produziu outros zootropos estroboscópicos a partir de 2004, entre eles Deeper[35] (2004), Homouroboros[36] (2007), Tantalus[37] (2008) e Charon,[38] que percorreu a Europa[39] e o Reino Unido no verão de 2012.[40] O zootropo Charon foi construído para lembrar uma roda-gigante e girar da mesma forma. Tem 9,8 m de altura, pesa 8 toneladas e contém vinte esqueletos remadores,[41] em referência a Caronte, personagem mitológico que transporta as almas dos recém-mortos pelo rio Estige.

O zootropo Eternal Return levou dois anos para ser construído e foi apresentado em 2014 no Deserto de Black Rock.

Os zootropos de Peter Hudson ficam em São Francisco[42] e são exibidos ao longo do ano em festivais e eventos especiais nos Estados Unidos e em outros países.[43]

Outros exemplos

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A obra Moving Pictures, de Wick Alexander e Robin Brailsford, criada em 2001, é formada por quatro zootropos escultóricos instalados em diferentes espaços públicos de Culver City, Califórnia.[44][45]

Zootropos gigantes

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Um livro didático de física de 1857 mencionava uma antiga instalação estroboscópica cilíndrica com imagens em movimento, com 5,5 m de diâmetro, que havia sido exibida em Frankfurt.

Um "Great Zoetrope; or: Wheel of Life", com 15 m de circunferência e "figuras em tamanho natural", foi instalado na Concert Hall do Crystal Palace, em Londres, com autorização da London Stereoscopic and Photographic Company. O programa tinha pelo menos quatro animações baseadas em tiras do catálogo da empresa. O grande cilindro era girado por um motor a gás e funcionou pelo menos do fim de 1867 à primavera de 1868.[46]

Em 2008, a empresa britânica de efeitos visuais Artem Limited construiu para a Sony um zootropo de 10 m de largura e 10 toneladas, chamado BRAVIA-drome, para promover a tecnologia de interpolação de movimento da empresa. O aparelho mostra 64 imagens do futebolista brasileiro Kaká. O Guinness World Records o declarou o maior zootropo do mundo.[47][48]

Em 2010, a artista Yishay Garbasz criou para a Bienal de Busan um zootropo com 3 m de largura composto por imagens de seu corpo nu registradas desde um ano antes até um ano depois de sua cirurgia de redesignação sexual.[49]

Em 2014, a dupla brasileira de grafite e arte de rua Os Gêmeos criou uma grande obra intitulada "Untitled (Zoetrope)", com seus característicos personagens amarelos e uma animação que mostra o zootropo em movimento. A obra integra a exposição OSGEMEOS: Endless Story, no Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, de 2024 a 2025.[50]

Sucessores

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O praxinoscópio, criado por Émile Reynaud em 1877, aperfeiçoou o zootropo e se popularizou no fim do século XIX.[51] O aparelho substituiu as estreitas fendas de observação do zootropo por um círculo interno de espelhos que refletia as imagens de forma intermitente.[52]

Pouco depois da popularização do zootropo, o folioscópio surgiu em 1868. Sua simplicidade, formato compacto e caráter tátil ajudaram a manter seu uso. O folioscópio depende da passagem rápida de uma sequência de páginas, enquanto o zootropo pode apresentar uma sequência curta em loop contínuo.[53]

Eadweard Muybridge publicou suas primeiras imagens de cronofotografia em 1878. Essas sequências logo foram montadas em zootropos por diferentes pessoas, entre elas o próprio Muybridge, e também foram publicadas em tiras para zootropo na década de 1880.[54] Essas experiências antecederam o desenvolvimento do cinema. O zoopraxiscópio de Muybridge, concebido em 1879, foi um dos primeiros projetores de imagens em movimento e uma das invenções que antecederam a consolidação do cinema em 1895.[55][56]

Em 1895, Auguste e Louis Lumière desenvolviam o Kinora ao mesmo tempo que o cinematógrafo. O cinema alcançou enorme sucesso, e o Kinora tornou-se um visualizador popular de imagens em movimento para uso doméstico.[57]

Na sequência tecnológica que levou às imagens em movimento, cinema, televisão e vídeo sucederam o zootropo.[58] Nos meios digitais, a animação em GIF é a comparação mais próxima com a animação por zootropo, pois os dois formatos costumam mostrar sequências de imagens em loop.[59]

Em 2016, uma variante invertida do zootropo foi inventada e patenteada com o nome Silhouette Zoetrope.[60] O aparelho foi criado pela pesquisadora Christine Veras e ficou em terceiro lugar no Best Illusion of the Year Contest. A invenção homenageava o zootropo clássico e reunia ilusões de movimento, espelhamento, profundidade e tamanho.[61]

Um sucessor digital do zootropo foi inventado em 2023 por Mike Ando. O Andotrope usa smartphones dentro de um cilindro com fendas para produzir um ângulo de visão de 360° para conteúdo digital.[62]

Usos na mídia

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Desde o fim do século XX, zootropos passaram a aparecer de forma ocasional em obras de arte, entretenimento, publicidade e outros meios, em especial como zootropos lineares e 3D.[63]

Construir um zootropo também se tornou uma atividade relativamente comum de artes e trabalhos manuais e uma forma de explicar princípios técnicos e ópticos do cinema e da percepção de movimento em programas educacionais.[64]

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  • O Blue Man Group usou zootropos em seus espetáculos de Las Vegas e também no Sharp AQUOS Theatre do Universal Orlando Resort antes da reformulação do palco em 2012.[65][66]
  • O filme House on Haunted Hill, de 1999, usa uma câmara de zootropo em tamanho humano como elemento de horror.[67]
  • Em 2007, uma imagem de um zootropo foi apresentada como uma das novas vinhetas da BBC Two, com uma cidade futurista e carros voadores vistos através do formato do número dois.[68]
9/11 Zoetrope, de Scott Blake
  • Em 2011, Scott Blake criou um "9/11 Zoetrope" que permite observar uma reconstituição contínua do choque do Voo United Airlines 175 contra a Torre Sul do World Trade Center nos ataques de 11 de setembro.[69]
  • Em 2012, o estúdio de animação berlinense Sehsucht criou a abertura do MTV Europe Music Awards daquele ano. A animação digital mostra um zootropo 3D que conta uma história sobre o sonho americano. Roxxy e Seth alcançam popularidade por meio das redes sociais e chegam ao auge de seu sucesso tocando no EMA sobre o carrossel do zootropo. A animação foi dirigida por Mate Steinforth e produzida por Christina Geller.[70]
  • Em 2013, o diretor Jeff Zwart criou o filme de dois minutos "Forza/Filmspeed" para promover Forza Motorsport 5. A produção colocou imagens estáticas de alta resolução do jogo em painéis ao redor do Barber Motorsports Park e as filmou com uma câmera presa a um McLaren MP4-12C.[71][72][73]
  • No filme de terror The Conjuring 2, de 2016, um zootropo é usado em uma das cenas.[74]
  • Em 2019, a segunda temporada da adaptação em anime do mangá Mob Psycho 100, de ONE, apresentou uma versão 3D de um zootropo na sequência de abertura.[75]
  • Em 2022, o videoclipe oficial da canção "Cash In Cash Out", de Pharrell Williams, usou um zootropo 3D animado por computador. O vídeo, dirigido por François Rousselet, levou pouco mais de um ano para ser produzido.[76] O vídeo mostra versões semelhantes a claymation de Williams, 21 Savage e Tyler, the Creator em um cenário giratório elaborado, com uma mão separada do corpo e coberta de joias tocando piano e uma estrada pavimentada com dinheiro.[77]
  • Em 2022, a edição em vinil da trilha sonora de Deltarune Chapter 2 recebeu no lado D uma gravação de zootropo criada por Drew Tetz, que mostra uma animação da faixa "Dance of Dog".[78][79]
  • Em 2025, a Lee Mendelson Film Productions lançou uma edição em disco ilustrado de zootropo a 45 RPM de You're a Good Sport, Charlie Brown: Original Soundtrack Recording para marcar o 75º aniversário da franquia Peanuts. O vinil, criado por Chris Bracco, da Creative Associates, tem nove animações estroboscópicas sincronizadas com a rotação a 45 RPM e foi o primeiro lançamento de uma trilha sonora de Peanuts nesse formato.[80][81][82][83]

Ver também

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  • Fenacistoscópio, brinquedo óptico de animação que antecedeu o zootropo
  • Praxinoscópio, dispositivo que substituiu as fendas do zootropo por espelhos
  • Folioscópio, forma de animação baseada na passagem rápida de imagens sequenciais
  • Zoopraxiscópio, projetor de imagens em movimento desenvolvido por Eadweard Muybridge

Referências

  1. ↑ «Harper's Magazine». Harper's Magazine Company. 10 de abril de 2018
  2. ↑ Oldest Animation Discovered In Iran. Animation Magazine. 12 de março de 2008.
  3. ↑ Rojas, Carlos (2013). The Oxford Handbook of Chinese Cinemas. [S.l.]: Oxford University Press. p. 5. ISBN 978-0-19-998844-0
  4. ↑ Needham, Joseph (1962). Science and Civilization in China, vol. IV, parte 1: Physics and Physical Technology. Cambridge University Press. pp. 123–124.
  5. 1 2 Lu, Yongxiang (20 de outubro de 2014). A History of Chinese Science and Technology, Volume 3. [S.l.]: Springer. pp. 308–310. ISBN 9783662441633
  6. ↑ Bate, John (1654). The Mysteries of Nature and Art (PDF). [S.l.: s.n.] p. 29. Consultado em 8 de outubro de 2016
  7. ↑ Hopwood, Henry V. (1899). Living Pictures. [S.l.: s.n.]
  8. ↑ Balzer, Richard. «Dick Balzer's Website: Zoetropes»
  9. ↑ Stampfer, Simon (1833). Die stroboscopischen Scheiben; oder, Optischen Zauberscheiben: Deren Theorie und wissenschaftliche Anwendung. [S.l.: s.n.]
  10. 1 2 The London and Edinburgh Philosophical Magazine and Journal of Science. [S.l.: s.n.] 1834. p. 36
  11. 1 2 3 4 5 Herbert, Stephen. From Daedaleum to Zoetrope, Part 1. Consultado em 31 de maio de 2014.
  12. ↑ Czermak (1855). «Das Stereophoroskop» (em alemão)
  13. ↑ Zone, Ray (3 de fevereiro de 2014). Stereoscopic Cinema and the Origins of 3-D Film, 1838-1952. [S.l.]: University Press of Kentucky. ISBN 9780813145891
  14. ↑ Medals and Honourable Mentions Awarded by the International Juries. [S.l.]: 1862 International Exhibition. 10 de abril de 1862. p. 201
  15. ↑ Hunt, Robert (1862). Handbook to the industrial department of the International exhibition, 1862. [S.l.: s.n.]
  16. ↑ «Chambers's Encyclopaedia: A Dictionary of Universal Knowledge for the People». W. and R. Chambers. 10 de abril de 1868
  17. ↑ Indianapolis Daily Journal. [S.l.: s.n.] 3 de dezembro de 1866
  18. 1 2 3 Veras, Christine (23 de abril de 2022). «Reanimating the History and the Forgotten Characteristics of the Zoetrope». Animation. 17: 26–48. doi:10.1177/17468477221085412
  19. ↑ «Toy patent» (PDF). 1867
  20. ↑ Bradley's Game and Toy Catalogue. 1889-90. [S.l.: s.n.] 1889
  21. 1 2 Herbert, Stephen. From Daedaleum to Zoetrope, Part 2. Consultado em 31 de maio de 2014.
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Ligações externas

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